Independent Auditor's Blog
O sistema tributário global está mudando rapidamente, e o Brasil está no centro dessa transformação. A publicação Nova ordem tributária no Brasil analisa as forças que estão redesenhando a política fiscal em todo o mundo e examina como elas se traduzem no Brasil, onde a fiscalização se intensifica e duas reformas tributárias avançam em paralelo: a do consumo e a da renda. O estudo reúne dados de pesquisas da PwC, análises do ambiente regulatório e orientações práticas para líderes que querem transformar a disrupção tributária em vantagem competitiva.
“A nova ordem tributária não muda apenas a arrecadação. Transforma a maneira como empresas são avaliadas, comparadas e cobradas – por governos, investidores e pela sociedade. Para quem lidera um negócio no Brasil, isso é ainda mais urgente: duas reformas avançam ao mesmo tempo, o fisco opera com sofisticação crescente e a carga já supera 32% do PIB. A pergunta não é se o ambiente vai mudar – é se as empresas vão capturar valor nessa disrupção ou apenas reagir a ela.”Carlos Coutinho,sócio e líder de Consultoria Tributária da PwC Brasil – https://www.pwc.com.br/pt/estudos/servicos/assessoria-tributaria-societaria/2026/nova-ordem-tributaria-no-brasil.html
IA e transformação digital
A inteligência artificial está rompendo o vínculo entre criação de valor e localização física. Plataformas monetizam dados em escala global, e os governos respondem em duas frentes: criam tributos digitais e usam IA para fiscalizar em tempo real. Declarações anuais dão origem a interações contínuas com o fisco, baseadas em dados. No Brasil, o SPED e o Sisam já mostram o nível de sofisticação da Receita Federal – e a apuração assistida da Reforma Tributária sobre o Consumo leva esse modelo ainda mais longe. Segundo a Global Reframing Tax Survey 2025 da PwC, 84% dos executivos brasileiros esperam que a IA generativa transforme o planejamento tributário nos próximos três anos.


Pressões fiscais e demográficas
O envelhecimento da população, o endividamento elevado e as demandas crescentes por gastos públicos forçam os governos a buscar novas fontes de arrecadação. As empresas estão na linha de frente dessa pressão. No Brasil, a carga tributária atingiu 32,4% do PIB em 2025. A pesquisa Tributos no centro, da PwC Brasil, confirma: 51% das empresas apontam o aumento da carga sobre a cadeia de valor como a principal preocupação, e 44% temem impacto negativo no capital de giro. A fiscalização também se intensifica – interpretações mais restritivas da legislação aumentam litígios mesmo sem mudanças formais nas regras.
Impactos na política tributária
Tensão geopolítica e protecionismo
O mundo se reorganiza em blocos regionais e a política tributária vira um instrumento de estratégia industrial. Tarifas, créditos locais e incentivos à relocalização produtiva redesenham as cadeias de suprimento e ampliam os riscos fiscais para empresas com operações globais. Para o Brasil, isso não é abstrato: as tarifas recíprocas impostas pelos Estados Unidos desde abril de 2025 ilustram como mudanças abruptas, motivadas por disputas geopolíticas, afetam custos, margens e decisões de investimento. A pesquisa Tributos no centro mostra que 41% das empresas antecipam alto impacto da Reforma Tributária na área de suprimentos e 38% na área comercial.
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